12 condições para você investigar se você é neurodivergente
12 condições que aparecem junto da neurodivergência: hipermobilidade, MCAS, endometriose e mais. Se várias batem com você, vale investigar.
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A pasta cheia de diagnósticos que ninguém conectou
Você já reparou que tem gente que coleciona diagnóstico do jeito que outras pessoas colecionam imã de geladeira?
Um do reumato, um do ginecologista, um do hematologista, um do endócrino. Cada médico num andar diferente do prédio, cada um olhando o seu quadradinho com lupa, e nenhum deles perguntando se os outros existem. Você sai de cada consulta com mais um carimbo e a sensação de que o seu corpo veio com defeito de fábrica em doze lugares ao mesmo tempo.
Em abril de 2025, o psiquiatra James Kustow apresentou no Congresso Europeu de Psiquiatria um nome para essa bagunça: a super-síndrome somática. A ideia é que a neurodivergência (TDAH e autismo principalmente) raramente vem sozinha. Ela costuma trazer junto um time inteiro de condições físicas que a medicina tratava como não-relacionadas. Os números não são tímidos: cerca de metade das pessoas com TDAH é hipermóvel, e quase 4 em cada 10 pessoas autistas preenchem critério para hipermobilidade articular.
Em 2020, quando tive certeza que eu era autista, uma das coisas que me deu uma enorme curiosidade era o tema das comorbidades. Algumas delas eu já sabia que eu tinha (só não sabia da correlação). Outras foram total surpresa. No fim das contas, eu fiz uma lista das minhas doze condições que andam de mãos dadas. Se você ler e pensar "espera, eu tenho três dessas", talvez valha investigar o que ninguém te sugeriu investigar proativamente. Não para fechar diagnóstico lendo blog (por favor, não seja essa pessoa), mas para chegar no consultório com a pergunta certa.
1. Hipermobilidade articular e síndrome de Ehlers-Danlos hipermóvel (hEDS)
A famosa "nossa, como você é flexível" que todo mundo achava talento de circo. "Como sua pele é macia". Mas o que a galera esquece de considerar é que você sente dor o tempo todo. O tecido conjuntivo, que é a cola do corpo, vem com a fórmula alterada, e suas articulações se mexem além do limite enquanto o corpo trabalha em segundo plano só pra te manter de pé.
E se você disser "mas eu sou toda travada", bom... Adivinha o que acontece quando você lesiona as articulações porque elas estenderam demais? Pois é. Nem sempre quem tem hEDS será flexível na vida adulta.
Sintomas comuns: articulações que "saem do lugar", dor crônica difusa, fadiga que não passa com sono, tendência a torções e estiramentos, pele macia que machuca fácil.
A conexão: é a comorbidade mais documentada da super-síndrome somática, e segue o mesmo roteiro do TDAH em mulheres (diagnosticada tarde, confundida com ansiedade).
2. MCAS ou SAM (síndrome de ativação mastocitária)
Os mastócitos são os seguranças exagerados do seu sistema imune. Na MCAS, eles batem o alarme por qualquer coisa: uma comida, o calor, um perfume, um dia estressante. O corpo entra em modo alérgico sem ter uma ameaça real na frente.
Sintomas comuns: reações a alimentos e medicamentos que mudam do nada, urticária e coceira sem causa, rubor súbito, problemas digestivos, sensibilidade a cheiros e temperatura.
A conexão: há evidência crescente de que os mastócitos participam da função neurocognitiva, e que sua ativação excessiva aparece associada a quadros neurodivergentes. Pois é.
3. Endometriose
Tecido que deveria estar só dentro do útero resolve fazer turismo por onde não foi convidado, causando inflamação crônica e dor que muito médico ainda chama de "cólica normal" (não é normal cólica te derrubar na cama).
Sintomas comuns: dor pélvica intensa, cólicas incapacitantes, dor na relação, fadiga, alterações intestinais no período menstrual.
A conexão: a endometriose se encaixa no padrão inflamatório e hormonal que percorre a super-síndrome somática, e divide com o autismo um fator genético interessante (mais sobre isso na condição 7).
Momento revolta: estudar endometriose direito pra resolver nosso problema ninguém quer, mas você acredita que tem estudo pra entender se mulheres que têm endometrioses são mais atraentes? Pois é. Prioridades.
4. Resistência à insulina
O seu corpo grita pro açúcar entrar nas células e as células fingem que estão de fone de ouvido. O resultado é um metabolismo trabalhando dobrado pra dar conta.
Sintomas comuns: cansaço depois de comer, fome que volta rápido, dificuldade de perder peso, vontade desesperada de carboidrato (doces, massas), acúmulo de gordura abdominal.
A conexão: há evidência associando TDAH a desregulação metabólica, dentro do mesmo cenário de inflamação sistêmica. Ainda em estudo e tal.
5. Lipedema
Acúmulo doloroso e desproporcional de gordura, geralmente em pernas e braços, que teima em ser confundido com "falta de academia". A pessoa pode emagrecer o corpo todo e aquela região não responde, porque o problema é outro.
Sintomas comuns: pernas e braços volumosos que destoam do tronco, dor ao toque, sensação de peso, facilidade para roxos, gordura que não cede com dieta.
A conexão: o lipedema aparece com frequência junto de quadros de hipermobilidade, pelo mesmo fio do tecido conjuntivo que funciona diferente. Temos ligação direta com a neurodivergência? Pelas minhas pesquisas ainda não, mas se A = B e B = C, logo...
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As próximas sete condições, incluindo o trio genético e as próprias neurodivergências que costumam viajar em grupo, ficam aqui para quem assina o conteúdo de suporte do Neurodivertindo. É onde a gente aprofunda o que fazer com cada uma.
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